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Japan Brief (Português)

Negociações hexanacionais se desgastam e entram em recesso

[Internacional] 3 26,2007

Ao entardecer de 22 de março, quarto dia da sexta rodada das negociações hexanacionais sobre o problema nuclear da Coréia do Norte, iniciadas em Pequim no dia 19, o vice-ministro do Exterior da China, Wu Dawei, reuniu os delegados-chefes na casa estatal de hóspedes Diaoyutai e anunciou a declaração do presidente das negociações em Pequim, que decidira que elas entrariam em recesso. Numa conferência de imprensa, Wu explicou que a razão para o recesso era que a transferência dos 25 milhões de dólares norte-americanos do Banco Delta Ásia (BDA) de Macau, demandada pela Coréia do Norte, ainda não havia sido realizada. Wu disse que esperava que as negociações fossem retomadas “assim que possível”. Enquanto isto, Kim Gye Gwan, vice-ministro do Exterior e delegado-chefe da Coréia do Norte nas negociações, retornava para casa na tarde do dia 22 sem esperar pela decisão da reunião dos delegados-chefes de entrar em recesso.

Conforme relatos dos meios de comunicação, o Banco da China, o banco comercial de propriedade do governo chinês designado para aceitar a transferência, mostrou-se profundamente preocupado em cuidar dos fundos de contas suspeitas de conexão com lavagem de dinheiro e outras atividades ilegais. Conforme uma fonte nas negociações, o processo de transferência dos fundos norte-coreanos congelados no BDA, a uma conta mantida no Banco de Comércio Exterior Coreano no Banco da China, sofreu atrasos por razões técnicas. Visto que há mais de 50 contas relacionadas com a Coréia do Norte no BDA, algumas em nome de falecidos, a verificação se faz necessária. Além disso, houve problemas no preenchimento dos documentos de transferência. Portanto, disse a fonte, o Banco da China estava preocupado em aceitar fundos suspeitos de terem sido usados em atividades ilegais.

Com isto, apesar do acordo realizado na última rodada das negociações hexanacionais, em fevereiro, delineando concretamente o caminho para a Coréia do Norte abandonar os seus programas de desenvolvimento nuclear, as últimas negociações hexanacionais, programadas para discutir medidas específicas para a desnuclearização, incluindo o fechamento do reator nuclear de Yongbyon, foram dominadas pelo problema das contas norte-coreanas congeladas no BDA e forçadas a entrar em recesso sem nenhuma discussão prática sobre as medidas da fase inicial. O foco de atenção se concentra agora em quando o processo de transferência dos fundos será completado.

Falando à imprensa, em sua residência oficial, ao entardecer do dia 22 de março, o primeiro-ministro Shinzo Abe disse achar “que a comunidade internacional responderá coordenadamente e de forma uníssona”. Em uma conferência de imprensa, o secretário-chefe de gabinete, Yasuhisa Shiozaki, disse que o recesso das negociações hexanacionais “é extremamente lamentável. O Japão continuará a cooperar com os EUA, a China e os outros países e chamará a Coréia do Norte para tomar medidas concretas em direção à desnuclearização”.

Comentários dos principais jornais
Após a suspensão das negociações hexanacionais, de 23 a 25 de março, os principais jornais japoneses publicaram editoriais sobre o recesso. Os editoriais de 23 e 24 de março criticaram principalmente a atitude norte-coreana. Por outro lado, o editorial do Mainichi Shimbun, de 25 de março, observou que a estratégia dos EUA e da China concentrada no problema da observância dos regulamentos financeiros internacionais, que vieram à tona nas últimas conversações, havia sido excessivamente otimista.

Intitulado “Suspensas as negociações hexanacionais: Coréia do Norte sem condições de desperdiçar mais tempo”, o editorial do Asahi Shimbun, de 23 de março criticou a atitude da Coréia do Norte dizendo que “não é anormal deparar-se com perplexidade e raiva em negociações com os norte-coreanos, mas desta vez a Coréia do Norte está egoísta demais”. Continuando, o jornal disse que “as condições atuais requerem uma visão ampla e muita calma. A Coréia do Norte não deve cometer engano algum sobre o entendimento de que é necessário construir confiança para manter a paz na península coreana”. Além disso, o Asahi comentou que “a Coréia do Norte freqüentemente fala sobre ações versus ações, implicando em que os lados devem tomar as ações necessárias simultaneamente para fazer as coisas progredirem. Se o dinheiro for transferido de Macau, as negociações hexanacionais provavelmente serão logo retomadas. Será então a vez da Coréia do Norte ter as suas ações escrutinadas severamente”.

O editorial do Yomiuri Shimbun, de 23 de março, intitulado “Coréia do Norte mostra mais esperteza do que os outros nas negociações hexanacionais” observou criticamente que, “durante as últimas conversações, a China disse que se esforçaria para resolver prontamente o impasse sobre a transferência do dinheiro. A Coréia do Norte sabia que tal impasse era um problema solucionável mas, mesmo assim, Pyongyang se recusou a começar a discutir o seu desarmamento nuclear”. Continuando, o jornal disse que, “visto como um todo, a Coréia do Norte está buscando conduzir as outras nações à mesa para obter o máximo de concessões possíveis, pretendendo tomar ações concretas para desmantelar as suas instalações nucleares... Negociar com a Coréia do Norte é um processo árduo e meticuloso. Para promover o ‘diálogo’ com Pyongyang, é essencial que se faça ‘pressão’ simultaneamente”. Além disso, o Yomiuri observou também que “a Coréia do Norte não terminará com a produção de plutônio, que pode ser usado para produzir armas nucleares, se as medidas da fase inicial não forem implantadas. Esta situação não favorece em nada a preparação do caminho para eliminar todas as armas e instalações nucleares da Coréia do Norte. Questiona-se se terminar ou não com as sanções financeiras contra Pyongyang era uma distração do objetivo primário das negociações hexanacionais, que é certificar-se de que a Coréia do Norte abandone todas as suas ambições nucleares. As partes envolvidas nas negociações não devem deixar que o seu foco seja embaçado pelas táticas norte-coreanas”.

Sob o título “É necessário passar à política da pressão”, o Sankei Shimbun, em seu editorial de 24 de março, comentou que “o egoísmo da Coréia do Norte é exasperante. As limitações e a impotência que surgem ao tentar-se manter um diálogo com uma ditadura como a Coréia do Norte tornaram-se evidentes. Os outros cinco participantes das negociações, a começar pelos EUA, deveriam reconsiderar os problemas da política de aproximação que tiveram até agora, e pensar em mudar a sua política para a de pressão”. Além disso, o jornal disse que “a justeza da atitude do governo japonês de que não pode haver ajuda sem progresso na questão dos seqüestros tornou-se ainda mais clara”.

Em seu editorial de 24 de março, intitulado “Prorrogação egoísta da Coréia do Norte”, o Nikkei observou que “se Pyongyang continuar atrasando as coisas egoisticamente, isto definitivamente não contribuirá para interesses dos norte-coreanos, já que o auxílio concreto de outros países não virá”. Continuando, o jornal observou que “o secretário adjunto de Estado norte-americano para assuntos do Leste Asiático e do Pacífico, como delegado-chefe dos EUA nas negociações advertiu que não acha ‘ser do interesse da República Popular da Coréia do Norte prejudicar as discussões (sobre as armas nucleares) com base nas questões bancárias’. Pyongyang não vai ganhar nada com a prorrogação, que só retardará a obtenção da ajuda que o povo norte-coreano realmente necessita”.

Sob o título, “EUA e China devem refletir sobre a sua estratégia super otimista”, o editorial do Mainichi de 25 de março comentou que “ao passo que é duro perdoar a atitude egoísta da Coréia do Norte, o que deu margem a isto foi a visão super otimista dos EUA e da China”. Explicando o seu parecer, o jornal disse que “medidas para monitorar o fluxo de dinheiro em círculos ilegais e obscuros foram reforçadas após os ataques terroristas simultâneos nos EUA, e as sanções da secretaria do tesouro dos EUA contra o BDA continuam de pé. Se eles derem aprovação tácita a contas e fundos obscuros fazendo transações financeiras com um país como a Coréia do Norte, há um grande risco de que não só o Banco da China mas também outras instituições financeiras sejam julgadas similarmente culpadas. A resposta do Banco da China está de acordo com tais regulamentos estritos dos círculos financeiros internacionais, mas as autoridades chinesas não entenderam isto apropriadamente”. Continuando, o Mainichi disse que “no futuro, mesmo havendo progresso em relação ao problema nuclear e se inicie o auxílio energético e outros, eles serão cabeça-dura devido a estes riscos no lado financeiro. A menos que a Coréia do Norte mude a sua atitude de não fazer caso nenhum de regras, será difícil resolver esta questão sem problemas”. Além disso, o editorial do Mainichi disse que “os EUA e a China moveram-se para descongelar os fundos norte-coreanos para possibilitar o progresso da resolução do problema nuclear, mas, inevitavelmente, os julgamentos sobre a viabilidade e o momento desta abordagem enfrentaram críticas. Mesmo especialistas que não são parte da linha-dura contra a Coréia do Norte descreveram isto como um fiasco tático. ... Particularmente os EUA e a China tem uma maior responsabilidade na direção dos cinco grupos de trabalho e da reunião principal. Esperamos que reflitam sobre a presente confusão e reconsiderem a sua estratégia de forma a poder puxar as rédeas quando necessário”.


(Copyright 2007 Foreign Press Center Japan)