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Japan Brief (Português)
Grupo de trabalho Japão-Coréia do Norte não apresenta progresso
[Internacional] 3 9,2007
Formado a partir de um acordo recente, resultante das negociações hexanacionais, o grupo de trabalho para a normalização das relações diplomáticas entre o Japão e a Coréia do Norte reuniu-se em Hanói nos dias 7 e 8 de março.
As discussões do primeiro dia estenderam-se por duas horas e meia, mas no segundo dia a reunião terminou em nada mais que 45 minutos. Na reunião, o negociador-chefe japonês, Koichi Haraguchi, (embaixador encarregado das negociações para a normalização dos laços diplomáticos com a Coréia do Norte), mantendo a postura básica do governo japonês de que não pode haver normalização das relações diplomáticas sem que haja um acordo sobre a questão dos seqüestros, exigiu (1) a devolução ao Japão de todos os seus cidadãos seqüestrados, (2) a reabertura da investigação norte-coreana sobre o assunto, e (3) a entrega dos suspeitos de envolvimento nos seqüestros. Por ocasião das conferências de imprensa realizadas por ambas as partes no dia 8 de março, Haraguchi disse, com referência às negociações, que é lamentável não terem sido obtidos resultados concretos nas relações Japão-Coréia do Norte, inclusive na questão dos seqüestros. Contudo, pelo menos elas mostraram alguma significância devido ao fato de que reconfirmamos as nossas posições mutuamente. Retrucando, o delegado-chefe norte-coreano, Song Il Ho, disse que o Japão sequer mexeu uma palha. A respeito da questão dos seqüestros, ele disse que ” tudo já foi resolvido, graças a nossos sinceros esforços”. Podemos até considerar (uma reabertura das investigações) caso certas condições venham a ser satisfeitas, incluindo a abolição das sanções (econômicas) e um começo para obter compensações pelo passado. Song disse também que “temos a mesma opinião, de que a Coréia do Norte e o Japão devem agora desenvolver as nossas relações novamente com base na declaração de Pyongyang”. Similarmente, Haraguchi expressou um desejo de continuar com as negociações. Com relação ao próximo encontro do grupo de trabalho, ele disse que ”não chegamos a acordo algum, mas continuaremos em contato, de alguma forma, para finalmente chegarmos a uma conclusão”.
Falando à imprensa ao entardecer do dia 8 de março, o primeiro-ministro Shinzo Abe comentou que “conseguimos transmitir a postura básica do Japão à outra parte”. Com relação às negociações hexanacionais programadas para início no dia 19 de março, ele adicionou que não haverá mudança alguma na abordagem que adotamos até agora.
Comentários dos jornais: Um final previsível
Todos os editoriais do dia 9 de março dos principais jornais japoneses, apesar de concordarem que era de se esperar um caminho árduo para a reunião do grupo de trabalho, criticaram a falta de sinceridade da resposta norte-coreana. Os jornais foram unânimes em advertir que o Japão não pode ser deixado levar pela estratégia de Pyongyang de enfatizar a isolamento do Japão com relação aos outros quatro participantes das negociações hexanacionais (além da Coréia do Norte). Eles colocaram em foco a necessidade de continuar tentando tenazmente persuadir a Coréia do Norte e, ao mesmo tempo, de dar mais importância à coordenação com a China, a Coréia do Sul, a Rússia e os EUA.
Sob o título “O governo deve mostrar firmeza nas negociações com a Coréia do Norte”, o Yomiuri Shinbum começou o seu editorial observando que se a reunião de dois dias entre o Japão e a Coréia do Norte em Hanói é qualquer parâmetro, as próximas negociações bilaterais parecem certas a tornarem-se um árduo jogo de paciência e determinação. O jornal adicionou criticamente que a postura norte-coreana é extremamente insensível, dizendo também que a Coréia do Norte parece estar tentando construir um muro entre o Japão e os outros cinco países envolvidos nas negociações hexanacionais acerca das ambições nucleares de Pyongyang. A estratégia deste país enclausurado é dirigida ao Japão, que tomou medidas descompromissadas contra a Coréia do Norte, incluindo a imposição de sanções unilaterais. Continuando, o jornal disse que a comunidade internacional estava uníssona na condenação da Coréia do Norte após o seu ensaio nuclear. Contudo, tal desgosto desvaneceu. Pyongyang pode estar tentando forçar o Japão a deixar para trás a sua postura linha-dura. Para chegar a seu objetivo, parece que está tentando dar a impressão de que o Japão tornou-se um obstáculo para o progresso das negociações hexanacionais, através da comparação da reunião do grupo de trabalho Japão-Coréia do Norte com as negociações realizadas pelo grupo Coréia do Norte-EUA, as quais Pyongyang rotulou de construtivas. A Coréia do Norte indubitavelmente pressionará o Japão a dar assistência econômica e energética massiva a Pyongyang, a qual seria implantada conforme os resultados de seus esforços para fechar todas as suas instalações nucleares, no próximo passo da primeira fase para a desnuclearização da península coreana. Contudo, o governo deve manter-se firme e não retrair-se em face da estratégia de Pyongyang. A postura básica do governo é a de que o Japão não proporcionará ajuda à Coréia do Norte a não ser que veja progresso na questão dos seqüestros. Se o Japão recusar-se a participar do esquema de ajuda à Coréia do Norte, Pyongyang perceberá que a obtenção de auxílio econômico e energético não pode ser tida como certa. Além disso, o Yomiuri disse que, para evitar ser isolado, o Japão deve pensar em estratégias cuidadosas para chegar a soluções compreensivas para o desenvolvimento nuclear e de mísseis e para a questão dos seqüestros através de uma mais estreita cooperação com Washington, baseada em sua aliança bilateral, e a manutenção de próxima comunicação com a China, a Rússia e a Coréia do Sul.
O editorial do Asahi Shinbum, intitulado “Negociações Japão-Coréia do Norte: Tóquio precisa enfrentar as questões com paciência”, comentou que a ruptura das negociações foi como esperada, e que os comentários do representante norte-coreano por ocasião de uma conferência de imprensa após a reunião sugere que Pyongyang pode dar ouvidos ao pedido de reabrir as investigações sobre os seqüestros, dependendo da reação japonesa. A Coréia do Norte parece estar dando tiros a esmo, sem intenção alguma de chegar agora a qualquer acordo com o Japão para progredir com a questão do restabelecimento das relações bilaterais. Contudo, disse o Asahi, não há motivo para o Japão ficar agitado, visto que a ajuda financeira de Tóquio é essencial para a sobrevivência da Coréia do Norte, como também o são as relações em condições normais com os EUA. O jornal observou também que todos os comentários e ações da Coréia do Norte são perturbadores mas, mesmo assim, o Japão deve manter-se calmo, abrir bem os olhos, e enfrentar as questões com perseverança. Mesmo que a Coréia do Norte continue a ser insinuante, o importante é saber medir as suas verdadeiras intenções.
Sob o título Coréia do Norte deve reconhecer que o caso dos seqüestros não foi solucionado, o editorial do Mainichi Shinbum reconheceu que já se esperava que as negociações Japão-Coréia do Norte encontrariam dificuldades por causa da questão dos seqüestros, e adicionou ainda que a atitude da Coréia do Norte de continuar dizendo do início ao fim que a questão dos seqüestros já está resolvida é lamentável. Criticamente, o jornal disse também que, com esta atitude, Pyongyang está completamente fora de órbita e não mostra nem um pingo de sinceridade. Se a Coréia do Norte quer que as negociações progridam no sentido da normalização dos laços diplomáticos, deveria primeiramente reconhecer que o caso dos seqüestros continua sem solução. A respeito da Coréia do Norte ter respondido que pensaria se ou não em reabrir uma investigação sobre as vítimas de seqüestro à medida que observa os desenvolvimentos de parte do Japão, o Mainichi afirmou que isto é uma exigência altamente egoística. A Coréia do Norte chegou a pedir o cumprimento fiel da declaração Japão-Coréia do Norte de Pyongyang. Com relação à declaração de Pyongyang, a Coréia do Norte está focando somente sobre as reparações dos infortúnios passados, através do que pode vir a obter auxílio em grande escala do Japão, e está insistindo em sua pronta implantação. Porém, Pyongyang não deve esquecer que a declaração estipula que a solução das questões inquietantes pendentes, que incluem a questão dos seqüestros, também é uma das condições para a normalização das relações diplomáticas. Referindo-se ao grupo de trabalho Coréia do Norte-EUA, que parece ter mostrado o início mais promissor dentre os cinco grupos de trabalho, o Mainichi observou que a estratégia (da Coréia do Norte) parece ser uma de colocar a responsabilidade sobre o Japão pelo processo das negociações hexanacionais ter-se estagnado. O Japão não deve cair no conto da Coréia do Norte.
O editorial do Sankei Shinbum, intitulado Apoio para a abordagem do governo, disse da ruptura virtual das negociações que tal foi resultado da reação norte-coreana ao fato de que o lado japonês manteve-se fiel a seus princípios com relação à questão dos seqüestros. Contudo, o problema é todo do lado norte-coreano. Apoiamos a abordagem do governo nas negociações. Referindo-se ao fato de que, em contraste, a reunião do grupo de trabalho Coréia do Norte-EUA realizada em Nova Iorque justo antes da reunião Japão-Coréia do Norte tenha ido bem, o Sankei comentou que é possível que a estratégia do Coréia do Norte inclua afastar o Japão dos EUA. Contudo, cair em tal conversa significaria vitória para a Coréia do Norte e derrota para os EUA. Isto também afetaria muito adversamente a aliança Japão-EUA, e tanto o Japão como os EUA não devem ser deixados levar pelo esquema norte-coreano de causar-lhes divisão. Além disso, o jornal relatou que, quando notificado acerca do término da negociações com a Coréia do Norte, o primeiro-ministro Shinzo Abe mostrou excelente compostura. Não é preciso entrar em pânico, disse ele. Tal atitude é muito importante para um líder. Esperamos também que ele diga aos EUA que evitar qualquer concessão fácil é necessário.
(Copyright 2007 Foreign Press Center Japan)